30 de junho de 2020

Lawtechs - empresas do futuro

Quem nos acompanha já deve ter notado que startups são tendências no empreendedorismo, e que profissionais de todas as áreas estão sentindo o impacto positivo da transformação digital em diversos níveis, sendo temas recorrentes aqui no Pulso Empreendedor. E no programa acima nosso bate-papo foi focado no futuro do setor jurídico.


Você, advogado e advogada do Brasil, se considera um empreendedor?

Á medida que advogados passam a se reconhecer como empreendedores, surge a necessidade do acompanhamento de sua evolução e resultados. Dentro deste cenário, inovações e recursos tecnológicos são ferramentas fundamentais para o crescimento dos negócios.

Já imaginou ter o controle dos prazos e das intimações dos processos, coleta e monitoramento de informações públicas e até mediação de conflitos de forma online e automatizada? As Lawtechs nasceram desta necessidade do mercado jurídico, e já estão inseridas na iniciativa privada, alterando o modo como as empresas praticam suas atividades jurídicas.

Mas afinal, o que são Lawtechs?

Law, em inglês lei, enquanto technology vem de tecnologia. Lawtech portanto, seria o nome dado a startups que oferecem soluções tecnológicas para o mercado jurídico.

Thales Farias – co fundador e sócio da StartLaw explica que dentro do mundo jurídico existem as Lawtechs e Legaltechs. Lawtechs são startups que criam produtos e serviços de base tecnológica para melhorar o setor jurídico. Já legaltechs, são empresas que desenvolvem soluções para facilitar a rotina dos advogados.

Ambas surgiram para suprir demandas do setor, através de uma base tecnológica. Ou seja, seu propósito é verificar as principais deficiências do mercado, e então desenvolver soluções para esses problemas, otimizando tempo e proporcionando uma rotina mais eficiente para o dia a dia de escritórios de advocacia e departamentos jurídicos empresariais.

O processo de jurimetria, por exemplo, que é a previsão de resultados com base numa pesquisa de banco de dados e histórico, pode ser feito por softwares e inteligência artificial, gerando maior produtividade e eficiência do processo. É a revolução da justiça.

Importante ressaltar que assim como acontece em várias áreas, o profissional do direito também precisa se reinventar, aplicando conceitos inovadores dentro do modelo de negócio tradicional. A StartLaw, empresa do nosso convidado do programa #79, é um exemplo de Lawtech. Ela oferece soluções tecnológicas para o mundo jurídico, ofertando um CRM – customer relationship management – que reduz a onerosidade do processo tradicional, entregando facilidade, celeridade e segurança. Se beneficia tanto o advogado que usufrui da plataforma quanto o cliente da advocacia.

Quais as dificuldades do mundo jurídico?

Principalmente no setor público, ainda há uma dificuldade na celeridade dos processos, principalmente por não haver vinculação de banco de dados das TJ’s, bem como estatísticas de processos. Além disso, é comum uma certa relutância a mudanças tecnológicas, sendo essa resistência geralmente ligada ao medo de se perder espaço no mercado.

Devemos destacar que a inovação e digitalização do mundo do direito não vem para extinguir o advogado. Muito pelo contrário, vem para facilitar e entregar a possibilidade, por exemplo, de atender um número maior de clientes. É preciso romper com o paradigma de que a tecnologia não é positiva, e pensar que é cada vez mais essencial para automatizar o esforço volumoso e repetitivo, liberando tempo para que os profissionais do Direito possam refletir e construir de fato o futuro.

Não só para o mundo jurídico, mas o profissional de qualquer área, seja advogado, médico, engenheiro, que não aceitar e se adaptar com a tecnologia, vai ficar defasado. Já tivemos um programa falando sobre tecnologia no campo. Ainda não ouviu? Ouça aqui.

E como anda o mercado das Lawtechs no Brasil?

Segundo a Associação Brasileira de Startups - ABStartups, o Brasil tem hoje aproximadamente 13 mil empresas de tecnologia cadastradas, e dessas, apenas 110 são ligadas ao mundo jurídico. (Confira aqui o StartupBase).

Em recente levantamento em parceria com o Centro de Estudos das Sociedades de Advogados – Cesa, observou-se que somente 22% das startups de direito utilizam uma Lawtech/Legaltech, e que os pequenos escritórios são os que menos aderiram a esta evolução. Ou seja, há um vasto campo para novas tecnologias serem exploradas.

Quanto as limitações deste mercado, visando regular o tratamento de dados pessoais, além de garantir privacidade e segurança dos mesmos, a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais, LGPD, foi sancionada em 2018.

Inspirada na GDPR (General Data Protection Regulation), lei europeia sobre o tema, a LGPD traz mais rigor e controle em relação à coleta, ao uso e ao tratamento de dados pessoais, dando mais direito aos usuários. Eles devem ser notificados, por exemplo, sobre o uso de seus dados e podem pedir a exclusão de suas informações nos bancos de dados das empresas.

Sobre o lado das empresas, estas devem obter consentimento do titular para uso de dados pessoais, além de cumprir requisitos de transparência e finalidade legítima quanto ao armazenamento e tratamento de dados. Portanto, quanto antes as empresas se adaptarem, melhor.

E você?

Está pronto para atuar de acordo com as tendências do setor jurídico?

Para estar à frente do mercado é essencial manter-se sempre atualizado!

Dica do Thales: Participe de núcleos locais da sua área, como a Associação Empresarial de Lages - ACIL e o grupo Órion, busque conhecimento, se aprimorar e se inovar. 

Por isso, fique ligado e nos siga nas redes sociais.
 

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